21 de mar. de 2017

Arautos do Evangelho fazem homenagem ao Patrono da Igreja, em Fortaleza

Procissão em honra
a São José

No último domingo (19), os Arautos do Evangelho em Fortaleza promoveram uma homenagem a São José. Dentre as homenagens prestadas foi realizada procissão pelas ruas que contornam sua residência, que leva o nome do Príncipe da Casa de David e Operário. As festividades ao Padroeiro do Ceará começaram nas semanas anteriores com a devoção dos sete domingos realizada após as celebrações eucarísticas na capela daquela comunidade religiosa.


Sua imagem, conduzida em andor por Cooperadores dos Arautos do Evangelho, foi solenemente entronizada na capela da Sede antes da Celebração Eucarística, a qual entrou em procissão para aclamação dos fieis.

Após a Santa Missa, celebrada pelo Pe. David Francisco, EP, foi realizada uma belíssima procissão, partindo da Sede e percorrendo as ruas no entorno, no bairro Luciano Cavalcante. Cooperadores dos Arautos e fieis devotos do Santo participaram ativamente do evento, entoando cânticos religiosos nos intervalos dos mistérios do terço que na ocasião foi recitado sob a coordenação do encarregado da sede dos Arautos, Sr. Geraldo Cúrcio. 


No percurso, foram entoados "vivas" aos nomes de Jesus, Maria e José, aos toques de trompetes que anunciavam à vizinhança a passagem do cortejo que levava a frente um corpo de crianças ao som de suas flautas tocando hinos em louvor a Nosso Senhor Jesus Cristo.


Retornando à Casa os participantes se posicionaram em torno do andor que conduzia a imagem para as últimas orações, pedidos e agradecimentos por graças alcançadas.


     





20 de mar. de 2017

Comentários aos Evangelhos dominicais

Trabalho de grande qualidade  
 e profundidade espiritual
Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne
Arcebispo de Lima e Primaz do Peru
Coleção
O inédito sobre os Evangelhos

Essa original obra de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, fundador dos Arautos do Evangelho, tem o mérito de pôr a teologia ao alcance de todos, por meio de comentários aos Evangelhos dos domingos e solenidades do ano litúrgico.

A coleção, publicada pela Libreria Editrice Vaticana em quatro idiomas, alcança um total de sete volumes. Neles, o autor comenta os vários aspectos dos Evangelhos dominicais, com comentários inéditos e cheios de atualidade.

Ao tomar contato com a coleção O inédito sobre os Evangelhos, de autoria de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, logo surge a interrogação sobre o que poderia ser dito de novidade a respeito de tema já tão comentado por Santos, Papas e famosos teólogos, ao longo dos séculos.

Entretanto, inédito é bem o termo que cabe a esta preciosa coletânea de textos, porque o Autor sabe analisar, de maneira original os problemas do homem de hoje à luz da Palavra de Deus, e do tesouro inesgotável da sabedoria divina consegue extrair verdades sempre novas, vistas a partir de perspectivas pouco exploradas ou esquecidas, salientando continuamente a noção de bem e de mal, a necessidade da continua vigilância e do recurso ao sobrenatural para se cumprir a vontade da Providência para cada um. Ao mesmo tempo, por utilizar uma linguagem acessível, mas elevada, e apresentar a Boa-nova aplicada à realidade viva, os comentários aos Evangelhos dominicais de Mons. João tocam a fundo as almas e sua leitura é edificante e atraente para qualquer leitor.

Por tudo isto, fica patente que, além de exegeta, Monsenhor João é um autêntico pastor que em suas homilias não visa senão o bem das almas. E para tal, apresenta o caminho da santidade como um convite extensivo a todas as pessoas, independentemente de idade, situação civil ou social, seguindo os passos d’Aquele que disse de Si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).



Pedidos pela internet 

http://evangelhocomentado.arautos.org/

Telefone (11) 2971-9040


19 de mar. de 2017

III Domingo da Quaresma - Ano A - 19 de março de 2017

Jesus e a samaritana
Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto de um terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-Se junto ao poço. Era por volta de meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-Me de beber”. 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que Tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-Me de beber’, tu mesma Lhe pedirias a Ele, e Ele te daria água viva”. 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b “Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas Vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21 Disse-lhe Jesus: “Acredita-Me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando Ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26 Disse-lhe Jesus: “Sou Eu, que estou falando contigo”. 39a Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 5-15.19b-26.39a.40-42).

Mons. João Clá Dias, EP
III DOMINGO DA QUARESMA

Amor a toda prova


O encontro com uma pobre mulher da Samaria prefigura o amor de Jesus por todos nós. Fatigado pelo calor do caminho, o Redentor necessita de água. Mas sua sede de converter aquela alma é incomparavelmente maior.

I – INTRODUÇÃO

Os judeus doutos e os discípulos de São João

Logo após o Batismo de Jesus, surgem os primeiros discípulos. Formados na escola do Precursor, estavam à espera do Messias e por isso seguem-No de imediato. Fica bem descrito no começo do Evangelho de São João o convívio de Jesus com a comunidade eleita pelo Batista, orientada na fé, esperança e amor. A narração dos atos iniciais da primeira fase da vida pública do Salvador culmina com o episódio das Bodas de Caná e o da expulsão dos vendilhões do Templo.

Depois de falar dos discípulos, o Evangelista focaliza outra categoria de pessoas pertencentes à comunidade judaica: certos anciãos, os quais, apesar de crerem em Nosso Senhor, não ousavam declará-lo publicamente, por extremo respeito humano. Nicodemos, que os representava, ao se aproximar de Jesus, afirma: “Sabemos que foste enviado por Deus como Mestre” (Jo 3, 2). Ele diz: “sabemos”, e não confessa crer na divindade de Jesus. Vê-se que, aplicando a inteligência e apoiando-se em dados culturais, chegara à sua conclusão por puro raciocínio desprovido de fé. É um típico representante da corrente dos homens doutos instruídos na ciência farisaica.

O contraste entre o filão dos discípulos do Batista e o dos anciãos auxilia a melhor compreender – pela semelhança com um e a diferença com o outro – a figura da samaritana, contemplada na Liturgia de hoje.

Samaria, um país paganizado

Essa região da Palestina central tem ao sul a Judeia e ao norte a Galileia. A Escritura nos relata como se deu a separação entre samaritanos e judeus. No ano 721 a.C., o rei assírio conquistou a Samaria, deportou seus habitantes e mandou vir gente de Babilônia e outras cidades para ocupá-la. Mas como os novos ocupantes não prestavam culto ao
Senhor, quando começaram a habitar ali, Deus mandou contra eles leões que os devoravam. Ordenou então o soberano assírio: “Mandai para lá um dos sacerdotes que deportastes, a fim de que ele ensine (ao povo) a maneira de servir o deus da região” (II Reg 17, 27)

Foi, pois, instalar-se lá um dos sacerdotes israelitas deportados, e ensinava àqueles pagãos como deviam adorar o Senhor. Apesar disso, “cada nação conservou o seu próprio deus, que colocou nos santuários dos lugares altos estabelecidos pelos samaritanos; cada povo colocou os seus deuses no lugar em que habitava” (idem, v. 29).

Ao retornarem os israelitas à Samaria, após o cativeiro, deixaram-se corromper pela idolatria daqueles povos. Romperam dessa forma o pacto da Aliança que obrigava a exclusão de todo e qualquer culto idolátrico. Entretanto, mantiveram-se monoteístas, gloriavam- se de serem filhos de Abraão e, quanto às Escrituras, admitiam somente o Pentateuco.

Por esses motivos, a Samaria era tratada pelos israelitas como um país pagão. O ódio mútuo chegou a tal grau que constituía grande risco para um judeu (ou um galileu) atravessar aquele território. Preferiam passar ao largo, dando volta pela Pereia, como o fez o Divino Mestre em sua última viagem a Jerusalém, ao ter-Lhe sido negada hospedagem (1).

Qualquer judeu que se visse na contingência de entrar em contato com um samaritano era considerado legalmente impuro. Não lhe era permitido sequer servir-se de pão ou de vinho desse povo sem manchar-se, segundo as prescrições da Lei. Por sua vez, os samaritanos tinham os israelitas por rivais e inimigos.

O amor de Jesus pelas almas humildes

Antes de entrarmos a considerar o Evangelho de hoje, façamos uma comparação entre o procedimento de Jesus com Nicodemos e com a samaritana.

Devido ao respeito humano, Nicodemos escolhe as sombras camuflantes da noite para visitar o Mestre. A iniciativa da procura é dele.

Bem ao inverso, no caso da samaritana, apesar do cansaço produzido pela longa caminhada por acidentado terreno – uns trinta quilômetros de distância – Jesus vai em busca da ovelha desgarrada, em pleno meio-dia e sob forte calor. Ademais, dispõe as circunstâncias para poder permanecer a sós, a fim de, ao aproximar-se dela, ter oportunidade de desenvolver seu apostolado. Transparece claramente nos detalhes desse acontecimento o delicado carinho que Jesus tem pelas almas humildes e despretensiosas.

II – O EVANGELHO

Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto de um terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6a Era aí que ficava o poço de Jacó.

O Livro do Gênesis nos relata alguns poços mandados escavar por Jacob (Gen, 26, 18-32). Acostumados nós, hoje, com a água encanada, não fazemos ideia da fundamental importância de uma fonte, ou de um poço, no Oriente daqueles tempos. Este em concreto, havia sido escavado certamente com o fim de evitar a contaminação com as águas dos vizinhos cananeus, pois nas cercanias havia algumas generosas fontes.

6b Cansado da viagem, Jesus sentou-Se junto ao poço. Era por volta de meio-dia.

Naquelas terras é causticante o calor do verão. Procurava-se caminhar fora dos horários ensolarados a fim de evitar a exaustão. Nesta passagem do Evangelho, vemos Jesus se comportar, em sua humanidade, como qualquer pessoa que sente as agruras do mormaço dessa estação do ano.

"Cansado da viagem,
Jesus sentou-Se junto ao poço" (Jo 4,6)
Poço de Jacó - Nablus (Israel)
Isto nos leva a uma interessante consideração sobre o paradoxo da união de duas naturezas na Pessoa de Jesus: uma criada e outra divina. Em particular, a propósito desse episódio com a samaritana, os autores clássicos se comprazem em tecer os mais variados comentários. São João, que escreveu seu Evangelho para ressaltar a substância divina do Salvador, neste trecho demonstra empenho em relatar o lado humano d’Ele. Um dos Padres da Igreja que, com vôo de águia, tratou belamente do assunto foi Santo Agostinho:

“Não é em vão que Jesus Se fatiga, não Se cansa sem motivo a fortaleza de Deus, não Se fatiga sem causa Aquele por quem os fatigados retomam as forças. Não é em vão que Se fatiga Aquele cuja ausência nos cansa e cuja presença nos conforta.

“[…] Jesus é forte e, ao mesmo tempo, débil. É forte porque ‘no princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus; Ele era no princípio em Deus’ (Jo 1, 1). Queres ver quão forte é este Filho de Deus? ‘Tudo se fez por Ele, e sem Ele nada se fez’ (Jo 1, 3). E tudo foi feito sem cansaço. Que fortaleza maior do que Aquele que tudo fez sem sombra de fadiga? Queres agora conhecer sua debilidade? ‘O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós’ (Jo 1, 14). A fortaleza de Cristo te criou, e a debilidade de Cristo te recriou. A fortaleza de Cristo fez existir o que não existia, e a debilidade de Cristo fez que não perecesse o que existia. Sua fortaleza nos criou e sua debilidade nos buscou” (2).

7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-Me de beber”.

Segundo Santo Agostinho, o fato de tratar-se de uma mulher simboliza de algum modo a fundação da Igreja. A samaritana seria a representação da instituição que nasceria do sagrado costado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto ao fato de não ser ela judia, o grande Doutor interpreta como sendo uma referência aos gentios dos quais nasceria a Igreja: “A Igreja havia de vir dos gentios, e a raça judaica havia de considerá-la estrangeira” (3). Ora, os samaritanos eram considerados estrangeiros até pelo próprio Jesus, conforme nos relata o Evangelho. Dos dez leprosos curados, um só retornou para agradecer: “Era um samaritano (…) Não se encontrou quem voltasse e desse glória a Deus, senão este estrangeiro?” (Lc 17, 16-18).

Enfim, tratava-se de uma mulher comum e simples diante do Criador. A samaritana jamais imaginaria quem era Aquele, e menos ainda o poder que estava nas suas mãos, de lhe oferecer a salvação eterna. Ele, por sua vez, transborda de desejo de tê-la consigo por toda a eternidade.

O Senhor lhe pede água. Será somente física sua sede? Trata-se do mesmo “sitio – tenho sede” (Jo 19, 28), pronunciado por Ele no alto da Cruz; seu grande anseio é redimir o gênero humano e, neste caso concreto, quer salvar aquela alma.

Deitemos toda a nossa atenção nesse encontro extremamente exemplificativo da teologia sobre o chamado da graça. Tanto a atitude de Jesus quanto a dela são paradigmáticas. Quem toma a iniciativa é Ele, sem levar em conta qualquer oração, pedido, desejo ou mérito da samaritana. Como com todos os homens, Ele procede de maneira inteiramente gratuita. Ela, por sua vez, nada suspeita das generosas intenções de seu interlocutor; pelo contrário, pensa que Jesus, por ser judeu, repudia por completo os samaritanos.

Nosso Senhor costuma agir adaptando- se aos modos de ser de cada um. Para Natanael Ele dirá que o viu debaixo de uma figueira (Jo 1, 50), para André e João será uma proclamação sobre o Cordeiro de Deus (Jo 1, 29), para os Reis Magos era a estrela aparecida no Oriente (Mt 2, 2). Para esta mulher Ele pede água.

Quão misteriosa é a bondade de Deus!

8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos.

Jesus quis de fato estar a sós. Nada Lhe custaria conservar alguns apóstolos consigo, e lhe bastaria uma insinuação, indicando o desejo de que alguns O acompanhassem, para ser atendido com alegria.

9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que Tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.

Pelas roupas, pelo porte e quiçá até mesmo pela pronúncia das palavras, a samaritana percebera tratar-se de um judeu. Ora, como acima dissemos, o povo eleito não tocava nem sequer na vasilha de um samaritano, a fim de evitar as impurezas. Daí a perplexidade manifestada por ela.

A correspondência a esse primeiro chamado de Nosso Senhor poderia condicionar a perseverança dela e até mesmo sua salvação, porém sua reação foi a de levantar obstáculo. Jesus, entretanto, não desistirá de chamá-la à conversão.

10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-Me de beber’, tu mesma Lhe pedirias a Ele, e Ele te daria água viva”.

Didática insuperável, perfeitíssima. É bem conhecida a curiosidade feminina e é desta que Jesus procura tirar partido. Com enorme afeto, Ele entretém e atrai a atenção da samaritana, pondo-a diante de algo mirabolante. Viva é a água que jorra da fonte. É sempre mais apreciada do que a retirada do poço. Jesus vai aos poucos se apresentando como um personagem incomum, com certas características misteriosas, possuidor de um dom de Deus.

Viva é a água que jorra da fonte, sempre
 mais apreciada do que a retirada do poço
Essa frase de Jesus, no modo condicional, já continha um começo de doutrinação e tornava impossível à samaritana deixar de se interessar mais a fundo pelo judeu sentado à beira do poço. São duas sedes de teor distinto que acometem o Divino Mestre. Jesus necessita da água comum e corrente, mas sua sede de converter aquela alma é incomparavelmente maior, e essa é a razão pela qual Ele procura despertar um interesse, todo feito de fé, no interior de sua interlocutora.

11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”

A graça começa a trabalhar-lhe a alma com suavidade e, ao mesmo tempo, com muito vigor. As primeiras palavras dela haviam sido um tanto desabridas: “Como sendo tu judeu… ?” A partir deste curto diálogo, passa a tratá- Lo de “Senhor”, pois algo do mistério de Jesus ela já entrevê, o que significa um enorme passo para uma samaritana na consideração de um judeu.

Ela não chega a entender bem a substância das afirmações feitas por Jesus, mas certamente já estava atraída pelo todo do Divino Mestre, e por isso não as contradiz, apenas externa sua perplexidade, disposta a aceitar uma explicação. Por ora, sua atenção está de fato centrada na “água viva” desejada por ela, e no fundo de seu subconsciente está se formando a hipótese de estar ela diante de um homem grandioso, comparável ao “nosso pai Jacob”.

Os samaritanos tinham a ufania de declarar ter sido sua terra habitada pelos patriarcas (Gen 12, 6; 33, 18; 35, 4; 37, 12; etc.). Pretendiam com isso abrandar as abjeções que os judeus lhes tinham, oriundas da miscigenação de raça e de religião. Daí a lembrança do poço de Jacob.

13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que Eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

Deus criou o homem com sede de infinito. Nossa alma só repousa em Deus, pois Ele é nosso fim último, e nada fora d’Ele nos satisfaz plenamente.

A Sagrada Escritura nos diz: “A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir” (Ecl 1, 8). É esse um fato realíssimo a se repetir em nós, e em torno de nós, a todo momento: nenhuma criatura nos fornece a ilimitada felicidade que buscamos. E ali, no próprio poço de Jacob, estava o símbolo das paixões humanas, segundo comenta Santo Agostinho. Um prazer que não seja de Deus, por mais que produza gozo, terminará por apenas causar tédio e decepção. Mas a alma, tornando- se escrava dele, o procurará outras vezes, nas suas mais variadas formas. A água do poço é simbólica de nossas inclinações, sempre nos atrairão a retornar a elas.

Sem desprezar em nada a memória de Jacob – até, pelo contrário, respeitando- a muito – Jesus oferece à samaritana uma água extraordinariamente superior àquela do Patriarca. Mais ainda, Ele promete “uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”.

Com a fé mais robustecida, ela crê no poder de Deus em criar uma água capaz de eliminar definitivamente a sede e, em conseqüência, de dispensá-la do trabalho de retirar daquele poço a água de todos os dias. De si, já seria uma maravilha criar essa água, mas Jesus lhe fala de um prodígio incomparavelmente maior: o das águas da graça. “O bem da graça de um só indivíduo supera e está por cima do bem natural de todo o universo”, afirma São Tomás de Aquino (4).

Jesus oferece à samaritana uma água
extraordinariamente superior;
Ele promete
"uma fonte de vida eterna"

Jesus e a samaritana- Nablus (Israel)
Santo Agostinho glosa este versículo 15, mostrando que há somente uma água capaz de extinguir a sede por completo, por fazer brotar no nosso interior uma fonte permanente, que jorrará até o feliz dia de nossa entrada para a eternidade (5). Se pedíssemos a Jesus, tal qual a samaritana o fez: “Eu Vos rogo, Senhor, dai-me dessa água”, Ele nos responderia: “Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem n’Ele” (Jo 7, 37-39). Entretanto, num primeiro momento, ela ainda não alcança o verdadeiro sentido das palavras de Nosso Senhor. A essa mulher se aplica o que diz São Paulo: “O homem animal não percebe as coisas do Espírito de Deus” ( I Cor 2, 14).

Apesar disso, o Salvador não desiste. Pelo contrário, continuará a trabalhar a alma dela com zelo divino. Quem O visse conversando com a samaritana, sentado à beira do poço, jamais poderia imaginar não só o teor da conversa, como também o amor manifestado por Ele em relação àquela pobre ovelha desgarrada.

Neste ponto do diálogo termina o trecho escolhido pela Liturgia de hoje. Nos versículos seguintes as maravilhas narradas são ainda maiores; Jesus lhe revela ser o Messias, depois de mostrar- lhe que conhecia sua má vida matrimonial. Transformada pela graça do Redentor, ela assume a função de verdadeira apóstola junto a todos os seus conhecidos.

Esse belíssimo episódio nos faz compreender melhor as palavras de São Paulo, que a Liturgia também hoje seleciona para a Segunda Leitura: “Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores (Rm 5, 7-8).

III - CONCLUSÃO

A samaritana, apesar de não ter vida virtuosa e de ser uma estrangeira, com todas as implicações da Lei, possuía uma alma penetrada por comovedora simplicidade, verdadeiramente cândida. Seu modo de ser é humilde e despretensioso. É cumpridora de suas obrigações e conhecedora dos princípios e tradições de sua religião. Sua conversa é elevada e sincera, como quando manifestou o quanto acreditava em Jesus. Essas qualidades atraíram o amor do Redentor e O fizeram ir em busca da ovelha perdida.

Muito pelo contrário, no caso de Nicodemos, este é quem toma a iniciativa de ir em busca do Mestre. Confiante na ciência farisaica, teve dificuldade maior em aderir ao Senhor. Ademais, temia perder sua posição social. Assim mesmo, acabou defendendo Jesus nos momentos mais difíceis, porque recebeu muitas graças para tal, e a elas correspondeu.

Na ciência ou na ignorância, na virtude ou no pecado, o fundamental é buscarmos a água da vida, nas fontes da Santa Igreja. É indispensável não nos apegarmos a certos conhecimentos que possamos ter adquirido, e assim fugirmos do orgulho da ciência. Ou então assumirmos a simplicidade de espírito e humildade de coração da samaritana, ainda que, infelizmente, estejamos dentro de uma via pecaminosa como a dela.

Em síntese, roguemos especialmente neste domingo à Santíssima Virgem para que nos obtenha de seu Divino Filho a água da vida, fazendo jorrar em nossos corações o líquido precioso da graça que nos conduz à morada eterna.

1 ) Cf.Lc 9, 51-56.
2 ) O Verbo de Deus, Gráfica de Coimbra, 1954, pp. 388-389.
3 ) Op. cit. pág. 394.
4 ) Suma Teológica, I-II, 113, 9 ad 2 5 ) Cfr. De diversis c. 62 – PL 37, 53



16 de mar. de 2017

Quaresma, tempo de jejum e de penitência

Estamos na Quaresma

A Quaresma é um tempo
de jejum e de penitência,
instituído pela Igreja por tradição apostólica:  

1º. Para nos fazer conhecer a obrigação que temos de fazer penitência em todo o tempo da nossa vida, da qual, segundo os Santos Padres, a Quaresma é a figura;

2º. Para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias, que Jesus Cristo fez no deserto;

3º. Para nos preparar por meio da penitência para celebrar a festa de Páscoa.



Para passar bem a Quaresma,
segundo o espírito da Igreja,
devemos fazer quatro coisas:

1º. Observar exatamente o jejum e mortificar-nos, não só nas coisas ilícitas e perigosas, mais ainda, quanto pudermos nas coisas lícitas, como seria moderar-nos nas recreações;

2º. Fazer orações, esmolas e outras obras de caridade cristã para com o próximo, mais do que em qualquer outro tempo;

3º. Ouvir a palavra de Deus, não por mero costume ou curiosidade, mas com o desejo de pôr em prática as verdades que ouvirmos;

4º. Ter grande cuidado em nos prepararmos para a confissão, para tornar mais meritório o jejum, e para nos dispormos melhor para a Comunhão pascal.




ENCONTRO MUNDIAL DE PUERI CANTORES SERÁ NO BRASIL, EM 2017!


A Federação Internacional de Pueri Cantores, escolheu o Brasil para realizar o CONGRESSO MUNDIAL DE PUERI CANTORES, que será no Rio de Janeiro, entre os dias 17 e 23 de julho.
   
   Por essa colossal ocasião, será realizado em Brasília - DF, entre os dias 14 e 16 de julho, o ENCONTRO INTERNACIONAL DE MENINOS CANTORES BRASÍLIA, com a participação de coros internacionais e nacionais. Serão realizadas diversas apresentações pelas igrejas da Capital Federal.
   
   Confira a seguir a relação de alguns dos coros (até o momento confirmados) que virão prestigiar nossa nação:
CoroPaís
Kölner DomchorAlemanha
Niños Cantores de Valle de ChalcoMexico
Meninos Cantores do Divino Espírito Santo de PratápolisBrasil
Bratislava Boys ChoirSlovakia
Niños Cantores de la Universidad de ColimaMexico
Coro Carpe DiemBrasil
Coral Mater EcclesiæBrasil
Schola Cantorum de la Catedral–
Ninõs Cantores del Señor de la MisericordiaMexico
Mainzer DomchorAlemanha
Pequenos Cantores de PassosBrasil
Canarinhos de Campoo LargoBrasil
Petits Chanteurs de la TrinitéFrança
Coral Canarinhos de ItabiritoBrasil
Jugendchor der Dommusik SpeyerAlemanha
Coral Pequenos Cantores de CássiaBrasil
Mädchenkamtorei am Paderborner DomAlemanha
Schola Cantorum de BrasiliaBrasil
Canarinhos de PetrópolisBrasil
Jeju Catholic Boys and GirlsCoréia do Sul
Pueri Cantantes Cathedralis UngdomskörSuécia
Jasnogórski Chór Chłopięco-Męski “Pueri Claromontani”Polônia
Psalmodia Uniwersytet Papieski Jana PawłaPolônia
Pueri et Puellae Cantores PlocensesPolônia
Poznański Chór KatedralnyPolônia
Fontes: 
http://puericantores.com.br/rio2017/confirmed-choirs/
http://coral-msb.blogspot.com.br/2016/01/encontro-internacional-de-meninos.html



FONTE: http://meninoscantores.blogspot.com.br/2017/03/congresso-mundial-de-meninos-cantores.html