Não será porque a procuramos onde ela não está?
O Mons. João Clá, Fundador e Superior
Geral dos Arautos de Evangelho usou certa vez uma comparação pitoresca,
mas que exprime bem porque muitos não a encontram.
Imaginem – dizia o Monsenhor – alguém,
que perdeu um objeto durante uma representação teatral, mas só se dá
conta da perda após o término da peça. As luzes do teatro já estão
apagadas… A pessoa resolve então – como a parte externa do prédio está
bem iluminada – procurar do lado de fora…
Isso bem poderia comparar-se com muitas atitudes em nossos dias: procurar a felicidade onde ela não está…
Qual a pista para encontrar a felicidade?
Qual a pista para encontrar a felicidade?
Disso trata o Mons. João Clá no texto
transcrito a seguir, da coleção de seus comentários publicada pela
LIbreria Editice Vaticana. (*)
COMO ALCANÇAR A FELICIDADE?
(Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP)
Pródigo em irradiar a luz e o calor, o Astro Rei anuncia o início e o término de cada dia com fulgores sempre novos, oferecendo a quem quiser contemplá-lo, no alvorecer ou no ocaso, um belo espetáculo que proclama a grandeza de Deus.
Algo semelhante pode ser observado em
todos os seres materiais, pois o Criador os dispôs, um a um, conforme os
desígnios de sua sabedoria,e “tudo tende regularmente para a sua
finalidade” (Eclo 43, 28).
As árvores frutíferas, por exemplo, dão em alimento aos homens e aos animais a abundância de seus frutos, coma diversidade de sabores, perfumes, formatos e colorações que caracteriza a riqueza de sua vitalidade. Paulo Eduardo Roque Cardoso
E, quer em meio às águas, quer nas
alturas do firmamento, sobre a Terra ou até nas profundezas dela, o
reino animal manifesta com profusão ainda maior as infinitas perfeições
do Autor da vida. Guiados por instintos inerrantes, os animais movem-se
com impressionante acerto para obter o seu sustento, e algumas espécies
constroem abrigos tão engenhosos, como é o caso das abelhas, que causam
admiração à própria inteligência humana.
A respeito de tão eloquente harmonia da
criação, afirma São Boaventura: “O universo é semelhante a um canto
magnífico que desenrola suas maravilhosas consonâncias; suas partes se
sucedem até que todas as coisas sejam ordenadas em vista de seu fim”. (1)
Este fim último e absoluto de todas as
criaturas consiste em dar glória a seu Criador, pois o mundo foi por Ele
tirado do nada, não por uma necessidade, mas como manifestação de uma
bondade infinita, conforme ensina São Tomás. (2)
Da parte dos seres irracionais, esse
louvor é tributado pelo simples fato de existirem e trazerem em si
reflexos do Criador, como canta o Eclesiástico: “A obra do Senhor está
cheia de sua glória” (42, 16).
Entretanto, o dever de tal glorificação
cabe em especial às criaturas inteligentes e livres — Anjos e homens —,
por serem capazes de honrar a Deus por amor, de modo consciente, livre e
voluntário.
O renomado teólogo Frei Royo Marín, OP,
pondera: “Ao homem, principalmente, por ser composto de espírito e
matéria, corresponde recolher o clamor inteiro da criação, que suspira
pela glória de Deus (cf. Rm 8, 18-23), e oferecê-la ao Criador, como um
hino grandioso em união com sua própria adoração”. (3)
Na sua misericórdia, a Providência faz
coincidir essa glorificação com a felicidade do ser humano, procurada
com incansável ardor ao longo da vida terrena: “Alcançando sua própria
felicidade, o homem glorifica a Deus e, glorificando-O, encontra sua
própria felicidade. São dois fins que se confundem realmente, embora
haja entre eles uma diferença de razão. A suprema glorificação de Deus
coincide plenamente com a nossa suprema felicidade”, (4) conclui o teólogo dominicano.
Apesar de tal plenitude ser atingida
apenas ao se entrar na bem-aventurança eterna, é possível ao homem gozar
de certa felicidade verdadeira ainda nesta vida. Desfrutam-na todos os
que orientam a existência rumo à finalidade suma, conhecendo, amando e
servindo a Deus, trilogia que se sintetiza na prática da virtude e no
empenho em promover a glória d’Ele na Terra.
Ora, como “o bem, enquanto tal, é difusivo; e quanto melhor algo é, tanto mais difunde sua bondade às coisas mais distantes”, (5) as almas possuidoras de tal alegria não a limitam à satisfação pessoal, pois anseiam transmiti-la a todos os semelhantes.
Surge, então, o corolário da verdadeira
felicidade: fazer o bem ao próximo, levando-o a participar das alegrias
da virtude, nesta Terra, rumo às eternas alegrias do Céu.
.
(*)
JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, EP, “O inédito sobre os Evangelhos”,
Libreria Editrice Vaticana, 2013, Vol. VI, p. 193-195. Publicada também
na revista “Arautos do Evangelho”, n º 139, julho de 2013, p. 11-12.Para
acessar a revista Arautos do Evangelho do corrente mês clique aqui )
(1) SÃO BOAVENTURA. In I Sent.d.44, a.1, q.3. In: Opera Omnia. Florença: Ad Claras Aquas (Quaracchi), 1883, t.I, p.786.
(2) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO.Suma Teológica. I, q.44, a.4.
(3) ROYO MARÍN, OP, Antonio. Teología Moral para seglares. Madrid, BAC, 1996, v.I, p.29.
(4) Idem, p.38.
(5) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma contra os gentios. L.III, c.24.
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RAE-7/13-11-12
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