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22 de ago. de 2016

Brilho fugaz da Luz Celestial


Fahima Spielmann
Gemendo e chorando neste vale de lágrimas”— eis nossa condição, tão bem expressa na Salve Rainha, oração que poderia ser qualificada como a prece da esperança em alcançar a bem-aventurança do Céu, anseio de todo ser humano sob o jugo das labutas e sofrimentos(cf. Gn 3, 17-19).
Junto a esse desejo de obter a verdadeira felicidade, dir-se-ia haver também na alma do homem algo como que saudades de um Céu por ele ainda desconhecido. E tais sentimentos o auxiliam a coibir suas más inclinações, pois ao recordar o prêmio eterno a que seus atos concorrem, refreiam-se os desvarios de sua natureza decaída.
Conhecendo, desde toda a eternidade, esse insaciável anseio, excogitou Deus, em sua sabedoria e bondade, dar ao homem criaturas que lhe recordassem a fugacidade desta vida e a perenidade da outra, estimulando-o a praticar o bem, na esperança de ver finalmente satisfeitas suas mais altas aspirações.
Uma destas criaturas é o simpático beija-flor. Rasgando os ares com seu bico semelhante a uma lança, fende os céus disposto a tudo enfrentar para alcançar sua meta, à primeira vista muito pequena: a corola de uma flor. Esta delicada ave nos ensina, assim, a nos contentarmos com o “pouco” que encontramos nesta vida, enquanto Deus nos prepara para o “muito” que nos dará na futura.
Devemos possuir o jubiloso equilíbrio que tanto transparece no beija-flor. Distante de qualquer depressão ou frenesi, sai ele de flor em flor, aparentemente tomado pela alegria de estar cumprindo a

17 de ago. de 2016

Diminuto reflexo da Inocência

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Se ao considerarmos uma águia nos vem à mente a majestade do Senhor, ao vermos a joaninha nos lembramos de que o Altíssimo é também a Inocência.
Ir. Ariane Heringer Tavares, EP
Ao passearmos por um jardim, é frequente nos depararmos com singelas cenas que nos encantam. Será um pássaro colorido bicando frutas e levando alimento para o ninho; será uma abelha a extrair o néctar das flores; ou, ainda, uma fileira de disciplinadas formigas carregando provisões para o inverno. Poucas descobertas, entretanto, são tão agradáveis quanto encontrar uma joaninha sobre as folhas de um arbusto, adornando-o qual pedra preciosa.
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Embora pertença à família dos rudes besouros, a graciosa aparência deste diminuto inseto pouco tem em comum com a maior parte deles. Simpática, delicada e de cores brilhantes, quase ninguém se contenta em admirá-la apenas com os olhos... E ao nos aproximarmos, ela não opõe resistência: com suavidade, passa da pétala de uma flor à mão de quem a contempla embevecido.
Apesar de seu aspecto insignificante, a joaninha tem um importante papel na agricultura, pois se alimenta das pragas que costumam atacar as lavouras. Uma bela lenda medieval põe em realce esta qualidade, narrando um fato acontecido quando as plantações de certa região da Inglaterra estavam sendo devastadas por pulgões.

Os camponeses, homens religiosos e confiantes no auxílio da Providência, resolveram fazer uma promessa à Santíssima Virgem, implorando que os livrasse daquela terrível peste. E Nossa Senhora, que nunca deixa de ouvir as súplicas de seus filhos, logo os atendeu de maneira singular: apareceram nos campos nuvens de joaninhas que, seguindo a ordem de seus instintos, exterminaram os nocivos parasitas e salvaram a colheita. Paulo Eduardo Roque Cardoso
Diz-se que daí provém o seu nome em inglês: Ladybug, ou seja, inseto de Maria, na forma abreviada de Our Lady. Sua denominação em alemão, Marienkäfer, cuja tradução é besouro de Maria, também recorda esta piedosa história. E um canto tradicional sueco a chama de jungfru Marias nyckelpiga, que quer dizer serva da Virgem Maria.
Não obstante, mesmo se deixamos de lado esta encantadora e conhecida legenda, não é difícil percebermos que esta minúscula criatura reflete com candura um aspecto do Autor de toda grandeza. "Quem tem a alma feita para adorar a Deus, está apto também para admirar tanto as coisas maiores como as menores criadas por Ele, encantando-se ao contemplar o Sol, mas também ao olhar para a terra e ver um bichinho"... nossa joaninha!
Se, ao considerarmos uma águia real, de imediato nos vem à mente a majestade do Senhor, que do alto governa e domina a obra de suas mãos, ao vermos a joaninha nos lembramos de que o Altíssimo é também a Inocência, que promete o Reino dos Céus aos pequeninos e Se compraz em revelar-lhes os mistérios de sua sabedoria. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2015, n. 164, pp. 50-51)