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30 de ago. de 2016

O exemplo dos esquilos

Em boa parte da Europa, e praticamente em toda a América do Norte, não há criança que não tenha se entretido com um dos mais encantadores e pitorescos animaizinhos existentes neste mundo...
Ryan Francis Murphy
Uma das experiências marcantes que se tem na infância consiste, sem dúvida, nos primeiros contatos travados com os animaizinhos, domésticos ou não, com os quais as crianças sempre buscam fazer "amizade". A pequena Santa Catarina Labouré encantava-se em alimentar as brancas pombas que esvoaçavam em torno de sua casa; o bom e comunicativo menino chamado João Bosco já exercitava seu inato desejo de ajudar e proteger, acudindo os cãezinhos viralatas que perambulavam em sua rua. Paulo Eduardo Roque Cardoso

Em boa parte da Europa, e praticamente em toda a América do Norte, não há criança que não tenha se entretido com os mais encantadores e pitorescos animaizinhos existentes neste mundo: os esquilos.
Extremamente versáteis, pode-se vê-los subindo e descendo pelas árvores, com uma agilidade que parece

17 de ago. de 2016

Diminuto reflexo da Inocência

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Se ao considerarmos uma águia nos vem à mente a majestade do Senhor, ao vermos a joaninha nos lembramos de que o Altíssimo é também a Inocência.
Ir. Ariane Heringer Tavares, EP
Ao passearmos por um jardim, é frequente nos depararmos com singelas cenas que nos encantam. Será um pássaro colorido bicando frutas e levando alimento para o ninho; será uma abelha a extrair o néctar das flores; ou, ainda, uma fileira de disciplinadas formigas carregando provisões para o inverno. Poucas descobertas, entretanto, são tão agradáveis quanto encontrar uma joaninha sobre as folhas de um arbusto, adornando-o qual pedra preciosa.
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Embora pertença à família dos rudes besouros, a graciosa aparência deste diminuto inseto pouco tem em comum com a maior parte deles. Simpática, delicada e de cores brilhantes, quase ninguém se contenta em admirá-la apenas com os olhos... E ao nos aproximarmos, ela não opõe resistência: com suavidade, passa da pétala de uma flor à mão de quem a contempla embevecido.
Apesar de seu aspecto insignificante, a joaninha tem um importante papel na agricultura, pois se alimenta das pragas que costumam atacar as lavouras. Uma bela lenda medieval põe em realce esta qualidade, narrando um fato acontecido quando as plantações de certa região da Inglaterra estavam sendo devastadas por pulgões.

Os camponeses, homens religiosos e confiantes no auxílio da Providência, resolveram fazer uma promessa à Santíssima Virgem, implorando que os livrasse daquela terrível peste. E Nossa Senhora, que nunca deixa de ouvir as súplicas de seus filhos, logo os atendeu de maneira singular: apareceram nos campos nuvens de joaninhas que, seguindo a ordem de seus instintos, exterminaram os nocivos parasitas e salvaram a colheita. Paulo Eduardo Roque Cardoso
Diz-se que daí provém o seu nome em inglês: Ladybug, ou seja, inseto de Maria, na forma abreviada de Our Lady. Sua denominação em alemão, Marienkäfer, cuja tradução é besouro de Maria, também recorda esta piedosa história. E um canto tradicional sueco a chama de jungfru Marias nyckelpiga, que quer dizer serva da Virgem Maria.
Não obstante, mesmo se deixamos de lado esta encantadora e conhecida legenda, não é difícil percebermos que esta minúscula criatura reflete com candura um aspecto do Autor de toda grandeza. "Quem tem a alma feita para adorar a Deus, está apto também para admirar tanto as coisas maiores como as menores criadas por Ele, encantando-se ao contemplar o Sol, mas também ao olhar para a terra e ver um bichinho"... nossa joaninha!
Se, ao considerarmos uma águia real, de imediato nos vem à mente a majestade do Senhor, que do alto governa e domina a obra de suas mãos, ao vermos a joaninha nos lembramos de que o Altíssimo é também a Inocência, que promete o Reino dos Céus aos pequeninos e Se compraz em revelar-lhes os mistérios de sua sabedoria. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2015, n. 164, pp. 50-51)

14 de jun. de 2016

Maria Santíssima foi Virgem antes, durante e depois do parto!

Em meio aos grandes problemas de nossos dias, poluição, violência, dramas familiares… resolvemos proporcionar ao leitor um momento de paz. E isto, ao trazer à nossa consideração uma verdade que desperta na alma de todo homem aquela atmosfera primaveril. A virgindade, virtude tão esquecida nos dias de hoje. Porém não a virgindade in generis, mas sim a Virgindade de Nossa Senhora.
“Uma Virgem só poderia conceber a um Deus, e um Deus só poderia nascer de uma Virgem”. Nesta conhecida frase de São Bernardo de Claraval pode-se resumir o dogma da Virgindade perpétua de Maria Santíssima. Porém, é mister conhecermos bem a profundidade de tão grande mistério a fim de firmarmos mais nossa devoção à sempre Virgem Maria.

Este ponto da doutrina católica não admite opiniões ou divergências, pois ao atender o anelo da totalidade do orbe católico, o Papa São Martinho I definiu como dogma, no primeiro Concílio Lateranense, em 649: 
“Se alguém não confessa, em conformidade com os santos Padres, que a Santa Mãe de Deus e sempre Virgem, e Imaculada Maria, propriamente e segundo a verdade concebeu do Espírito Santo, sem cooperação viril, ao mesmo Verbo de Deus, que desde todos os séculos nasceu de Deus Padre, e Ela incorruptivelmente O engendrou, permanecendo indissolúvel sua virgindade, antes como depois do parto, seja condenado.” (D 256).
A virgindade consiste na perfeita integridade da carne, e se distingue em três modos: sua existência sem propósito de mantê-la, sua perda material inculpável, e sua existência com inquebrantável propósito de conservá-la sempre e por motivos sobrenaturais. Deste último modo é que nos referimos ao falar da virgindade de Nossa Senhora, é o que nos atesta a Revelação com o profeta Isaías no seu capítulo 7 versículo 4: “eis que uma virgem conceberá”. E também São Mateus: “antes de coabitarem, Ela concebeu por obra do Espírito Santo.” (1,22-23)
Porém a verdade teológica da virgindade de Maria Santíssima não se restringe apenas ao período antes do parto, pois como mesmo afirmou o concílio de Latrão, Maria foi sempre Virgem, isto é, antes durante e depois do parto.
A teologia encontra no mesmo relato de Isaías (7,4) uma revelação de que Nossa Senhora permaneceu Virgem também durante o parto, pois o profeta não só afirma que uma Virgem conceberá, mas que, além disso dará à luz.
São Tomás de Aquino a fim de nos mostrar a razão de conveniência da Virgindade de Maria durante o parto afirma: “covinha que não lesasse a honra da Mãe o que havia mandado honrar aos pais.”[1]
Porém, como se deu este parto virginal?
A teologia nos explica que Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou-se da sutileza própria ao corpo glorioso, uma vez que sua alma estava na visão beatífica e o estado normal de seu corpo era glorioso. Essa explicação não vai de encontro com a revelação, pois os Evangelhos nos falam mais de uma vez ter Jesus utilizado esta propriedade (Cf. Lc 4,29-30; e Jo 20,19).
Paulo Eduardo Roque CardosoUma bela figura de como se operou este milagre nos é dada pelo teólogo Contenson: “Assim como a luz do sol banha o cristal sem rompê-lo e com impalpável sutileza atravessa sua solidez, e não o rompe quando penetra, nem quando sai o destrói, assim o Verbo de Deus, esplendor do Pai, entrou na virginal morada e dali saiu, fechado o claustro virginal, porque a pureza de Maria é um limpíssimo espelho que nem se quebra pelo reflexo da luz, nem é ferido por seus raios.”[2]
Seria supérfluo falarmos sobre a conservação da virgindade de Maria Santíssima depois do parto. Entretanto, é neste ponto que muitos inimigos da Igreja procuram ofender a pureza ilibada da Mãe de Deus.
São Tomás de Aquino nos apresenta algumas razões que nos mostram a incongruência de imaginar a corrupção da Virgem Maria:
“Seria ofensivo à perfeição de Cristo, que pela natureza divina é o Filho unigênito e absolutamente perfeito do Pai (Jo 1,14; Heb 7,28), e convinha, assim, que fosse também Filho unigênito da Mãe, como seu fruto perfeitíssimo. […]
“De maneira que absolutamente temos de afirmar que a Mãe de Deus, assim como concebeu e deu à luz a Jesus sendo virgem, assim também permaneceu sempre virgem depois do parto.”
Poderia parecer um tanto suspeitas certas expressões do Evangelho dentre as quais sobressai a firmação que Nosso Senhor Jesus Cristo possuía irmãos e irmãs (Mt 13,55-56; Lc 8,19; Jo 2,12; At 1,14; I Cor 9,5). Ouçamos o renomado teólogo Fr. Royo Marín responder a esta possível objeção tão primária, no entanto muitas vezes usadas pelos inimigos da Virgem:
“É muito freqüente na Sagrada Escritura usar os nomes irmão e irmã em sentido muito amplo, para designar qualquer espécie de parentesco.
“Assim Lot, que era filho de um irmão de Abraão (Gên 12,5), é chamado irmão deste patriarca (Gên 13,8). Jacó é chamado irmão de Labão, que na realidade era seu tio (Gên 29,15). […] E no Novo Testamento é muito frequente chamar irmãos a todos os que crêem em Cristo.
“Os chamados irmãos e irmãs do Senhor não eram filhos de Maria, cuja perpétua virgindade está fora de dúvida. […] [Trata-se por certo] de primos, por serem filhos de algum parente de Maria. Ou de algum irmão de São José.”[3]
Temos assim uma pequena fundamentação daquela verdade que está tão enraigada na alma de todo católico: Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Esperemos que esta breve consideração tenha podido possibilitar ao leitor pelo menos um momento de reconforto de alma, pois é impossível que ao considerarmos a virgindade da Mãe de Deus e nossa, sejamos esquecidos por Ela.
Que Ela nos ajude a enfrentar as dificuldades deste vale de lágrimas, e assim podermos gozar eternamente do seu convívio no Céu.
Por Millon Barros


[1] Tradução da Suma Teológica, B.A.C., Madrid, 1955, t. XIII, p.55, apud CLÁ DIAS, João. Pequeno ofício da Imaculada Conceição comentado. São Paulo: Artpress, 1997.
[2] CONTENSON, Fr. Vicent. Theologia mentis et corporis. Paris: Vivés, 1875, p. 291, apud Clá Dias, João. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado. São Paulo: Artpress, 1997, p.357.
[3] ROYO MARÍN, Antonio. La Virgem María. Madrid: BAC, 19>>