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9 de set. de 2016

As solenes pompas da natureza

A paisagem é serena, quase monótona, porém, estuante de vida. Nas florestas tropicais tudo é generosidade.
Abundância de vida, luz e calor. Sob a selva escondem-se maravilhas do reino mineral, da fauna e da flora. O verde reveste o panorama como um manto de esmeraldas, apenas entrecortado por um imenso caldal: é o Amazonas. O maior rio do mundo. Suas águas avançam em
um suave murmúrio. Discretas, mas impetuosas, se diria invencíveis. Tão volumosas que fazem o próprio oceano recuar.
Rio Amazônas desembocando no Mar Atlântico
De fato, o Amazonas é o maior rio do mundo tanto em volume quanto em extensão. Possui mais de mil afluentes e forma uma bácia hidrográfica de 7 milhões de Km², o equivalente a Europa Ocidendal. Em alguns trechos atinge 100m de profundidade e 190 Km de largura. Um quinto das águas fluviais do mundo desembocam do Rio Amazonas e seu caudal equivale a soma do volume de água dos 10 maiores rios do mundo.  Nasce no Peru, a 160 Km do Lago Titicaca, aos pés do Nevado Mismi, a aproximadamente 5.000 metros de altitude, e após quase 7.200 km, dos Andes ao Atlântico,[1] desemboca em um Estuário de 330 Km, o qual possui a maior ilha marítimo-fluvial do mundo, a ilha de Marajó. Por esses predicados é chamado The River Sea, O Rio Oceano. É o Rio da Grandeza! Não somente por suas proporções. Até mesmo sua história nasce adornada pelos  louros da aventura e pelas glórias reais do maior império marítimo da História.
O império onde o sol não se punha
Carlos V
O Império de Carlos V foi verdadeiramente um dos maiores da Humanidade. Dizia o monarca espanhol que em seu Império o sol não se punha; e era real. No Continente Europeu, era soberano da Península Ibérica e Itálica, assim como de numerosas províncias flamengas e austríacas. Possuía domínios na África, Índia e em vários arquipélagos do Extremo Oriente. O imperador reinava também sobre a maior parte da América.
Vicente Pizón
Um território tão amplo se devia em grande parte a um hábil corpo de exploradores que perscrutavam as riquezas destas longínquas terras. Um desses aventureiros foi Vicente Pizón. Segundo alguns historiadores, foi o primeiro cristão a contemplar o Amazonas ainda no ano de 1500. O imenso rio foi batizado pelo explorador de Río Santa María del Mar Dulce, em homenagem Àquela que lhe tinha protegido contra tantos perigos encontrados ao longo de sua expedição, graças a esta proteção ele, por fim, pôde conhecer o oceano de águas doces.
Francisco Orellana
Todavia, não foi o primeiro europeu a navegar por toda extensão dessas águas, cujo tamanho, perigo e riqueza, eram ainda desconhecidos. Em 1541, Francisco Orellana (1490-1550) em demanda do lendário El Dorado, começou a exploração do rio sagrado que os Incas chamavam de Rio Orinoco , na Venezuela, riquíssimo em ouro. O descobridor penetrou na Amazônia deparando-se com um rio ainda maior que o Orinoco, podendo descrever uma incrível viagem pelo extraordinário emaranhado de afluentes.
Em certo ponto da viagem, Orellana travou um acirrado combate com mulheres guerreiras  que lhes disparavam flechas e dardos de zarabatana. Voltando a Europa, narrou o fato a Carlos V, que, inspirado nas guerreiras hititas da mitologia clássica as quais portavam arcos e montavam cavalos de guerra, passou a chamar o rio de Amazonas.
O explorador Orellana descreveu as amazonas do Rio sul-americano como:“Mulheres altas e adestradas ao combate. Habitavam casas de pedra e acumulavam metais precisosos”. Na verdade, era a tribo dos yaguas, indígenas que usam uma longa cabeleira e ainda hoje habitam a região da confluência dos rios Napo e Negro.[2]Diz-se também que o nome Amazonas é de origem indígena, da palavra amassunu, que quer dizer “ruído de águas, água que retumba”.
Vida em abundância
Sob essas volumosas e serenas águas encontram-se raras e extraordinárias riquezas. Mais de 3.000 espécies de peixes foram encontradas neste rio,  superando em variedade o Oceano Atlântico. Dentre elas, algumas se destacam pela beleza, como os peixes ornamentais, ou então, os botos: animais semelhantes aos golfinhos que atingem 2,6m de comprimento dotados de cores prestigiosas como o azul e o rosa. Menos simpático que os botos são as piranhas, terríveis peixes carnívoros. Ou ainda o Poraquê, um animal aquático que emana ondas elétricas de até 500 volts. Em suas águas também vive o maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu, quepossui cerca de três metros de comprimento e 200 Kg, enriquecendo com seu sabor o cardápio popular.
Pororoca do Rio Amazonas em Chaves, Ilha de Marajó - PA
Outra curiosidade do Amazonas é o fenômeno da Pororoca, conhecido nos rios europeus como mascaret ou bore. Trata-se de uma elevação repentina de grandes massas de água junto a foz, provocadas pelo movimento das marés. Após o oceano ter suas águas empurradas cerca de 160Km pelo Amazonas onde a salinidade do mar é muito baixa, ao subir da maré, o mar invade o rio formando ondas que podem atingir seis metros de altura e cinqüenta quilômetros por hora. Esta poderosa vaga pode durar até trinta minutos. As águas do oceano adentram no rio arrastando árvores e embarcações. O rio recua ante a impetuosa vingança do mar, mas, em seguida, sereno e vitorioso, o Amazonas volta a seu curso normal depois do duelo com o Atlântico.

Uma realidade superior
As grandezas deste rio faz lembrar realidades superiores. De fato, toda criação é uma imagem dos seres espirituais e do mundo sobrenatural. O Amazonas poderia ser denominado como o rio da grandeza. Não só pelos seus títulos e predicados, mas sobretudo, pelo que representa da vocação dos povos que irriga. Quantos missionários verteram o seu sangue pela Fé junto àquelas águas? Inúmeros. E o resultado foi  surpreendente. Hoje, as jovens nações da América Latina, com apenas 500 anos de história e 200 de independência, somam cerca da metade dos católicos no mundo. [3] Estas nações de etnia negra, índia e européia, além de unidas pela origem de seus idiomas, pela nova raça oriunda da miscigenação, também o são pela irmandade espiritual do batismo. Formam pela fé católica apostólica romana um só conjunto.
O Amazonas com suas riquezas  parece refletir como um enorme espelho as maravilhas postas pela graça de Deus na alma sul-americana.
Ele também simboliza algo ainda mais sublime. Uma realidade espiritual, ao mesmo tempo visível: A Santa Igreja Católica. Esta é como um vasto rio, de quase dois mil anos, feito com uma água puríssima e com sua nascente muito mais alta que a do Amazonas, pois nasceu do lado aberto de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Igreja avança invencível na História, fecunda com suas ricas e férteis águas, todas as personalidades, nações e instituições. Quantos solos outrora áridos, graças a Ela, se tornaram férteis e têm dado à humanidade flores das mais belas e perfumadas, e produzido frutos robustos.

8 de nov. de 2015

O que teria sido a misteriosa estrela que surgiu nos céus, guiando os Reis Magos até Belém?


Nas Sagradas Escrituras vemos Deus muitas vezes comunicar-se aos homens por meio de sinais na natureza: a brisa da tarde Santos Reis Magos e a estrela de Belem.jpgno Paraíso, o arco-íris após o dilúvio, a sarça ardente, a diáfana nuvem de Santo Elias etc. E em seu próprio nascimento, Ele quis usar de um sinal no céu: a Estrela de Belém. Esse fato nos é narrado apenas por um dos evangelistas: São Mateus.
Na verdade, naquela época acreditava- se que o nascimento de pessoas importantes estava relacionado com certos movimentos dos astros celestes. Paulo Eduardo Roque Cardoso
Assim, dizia-se que Alexandre o Grande, Júlio César, Augusto e até filósofos como Platão tiveram a sua estrela, aparecida no céu quando eles vieram ao mundo. Muito se tem comentado a respeito da estrela surgida aos três Reis Magos , guiando-os até o local bendito em que o Salvador haveria de nascer.
E não faltaram homens de ciência tentando encontrar uma explicação natural para esse evento sobrenatural, centro da história humana. Não temos a pretensão de fazer um compêndio científico a respeito, mas não deixa de ter certo interesse conhecer, ainda que de modo sumário, as principais tentativas de solucionar esse enigma. Uma das primeiras teorias levantadas era que esse astro teria sido o planeta Vênus. Pois a cada 19 meses, pouco antes do nascer do Sol, ele aparece dez vezes mais claro que a mais brilhante das estrelas: a Sírius.
Mas esse já era, então, um fenômeno assaz conhecido pelos povos do oriente e, portanto, para os Reis Magos nada teria de extraordinário.
Outra hipótese foi levantada por um astrônomo reconhecido nos meios científicos do século XVI: Johannes Kepler. Tentou ele demonstrar com seus longos estudos, que esse astro não era apenas um, mas a conjunção de dois planetas: Júpiter e Saturno. Quando eles se sobrepõem, somam-se os respectivos brilhos. Um fenômeno desses foi por ele observado em 1604 e podia produzir um efeito semelhante ao que nos conta a Bíblia. A partir daí, Kepler defendeu sua teoria. Paulo Eduardo Roque Cardoso
Mas existem três problemas ao fazer essa afirmação: primeiro, essa conjunção dura apenas algumas horas, e a estrela que apareceu para os Reis Magos foi visível por eles durante semanas; segundo, Júpiter e Saturno nunca se fundem completamente numa única estrela. Mesmo a olho nu, seriam sempre visíveis dois corpos; terceiro, ao menos que a data do nascimento do Menino Jesus esteja muito mal calculada, tal conjunção só poderia ter lugar três anos depois.
Há quem diga que a estrela foi, na verdade, um meteoro especialmente brilhante. Mas um meteoro só pode durar alguns segundos e seria muito forçado crermos que esses poucos segundos de visibilidade bastariam para guiar os reis magos numa viagem através de quilômetros em um deserto inabitável, e que ao chegarem em Belém, apareceu um outro meteoro semelhante, indicando o local exato onde estava o Menino-Deus.
Orígenes, Padre da Igreja nascido em Alexandria, Egito, chegou a acreditar ser a Estrela de Belém um cometa. Pois alguns cometas chegam a ser centenas de vezes maiores que a Terra, e sua luz pode dominar o firmamento durante semanas.
Além disso, alguns sustentam que São Mateus teria ficado tão impressionado com o cometa Halley, visto nos céus em 66 d.C. ou pelo testemunho dos mais antigos cristãos que o tinham visto em 12 a.C., que o incluiu na história. Outros afirmam ter sido o próprio Halley, a Estrela de Belém.
Mas devemos reconhecer que as duas datas citadas estão muito afastadas do nascimento de Jesus, para serem unidas a ele. E segundo os dados catalogados, não há menção de nenhum outro cometa que tenha sido visto a olho nu entre os anos 7 a.C e 1 d.C., período no qual se aceita ter nascido o Messias. Além disso, é corrente serem os cometas na Antigüidade anunciadores de desgraças e não de bênçãos. Uma última hipótese dita científica é a que tenha sido uma "Nova".
Existem certas estrelas que explodem de tal forma que sua luz aumenta centenas de vezes em poucas horas. São as chamadas "Novas", ou "Supernovas", dependendo da intensidade da explosão. Calcula-se que a cada mil anos, aproximadamente, uma estrela se transforme em "Supernova", sendo este fenômeno visível durante vários meses, até mesmo durante o dia.
Mas já não se crê nessa hipótese, pois tais explosões, devido à sua magnitude mesmo depois de séculos deixam traços inconfundíveis no espaço, como manchas estelares etc. Entretanto, até hoje não se descobriu nenhum indício de tal fenômeno ocorrido nesse período histórico. Paulo Eduardo Roque Cardoso
Embora várias tentativas de explicação científica não tenham dado respostas plenamente satisfatórias ao mistério da Estrela de Belém, isso em nada diminui o mérito dos esforçados estudiosos que com reta intenção buscam desvendar os enigmas da natureza. MasAdoração Reis Magos..jpgdeixando essas hipóteses de lado por um momento, voltemos nossos olhos à outro aspecto da questão: o campo teológico, onde se considera que essa estrela era a realização da profecia do Antigo Testamento: "Uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel" (Num 24,17).
Alguns teólogos defendem que São Mateus fez uma interpretação das tradições da época, referindo-se ao astro não como uma estrela no sentido literal, mas como símbolo do nascimento de um personagem importante. Mas São Tomás, o Doutor Angélico, já havia pensado nisso em sua época e resolveu a questão na Suma Teológica (III, q. 36, a.7), usando cinco argumentos tirados de São João Crisóstomo:
1º. Esta estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum ao geral das estrelas.
. Ela aparecia não só de noite, mas também durante o dia.
3º. Algumas vezes ela aparecia e outras vezes se ocultava.
4º. Não tinha um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e se detinha quando eles deviam se deter, como a coluna de nuvens no deserto.
. A estrela mostrou o parto da Virgem não só permanecendo no alto, mas também descendo, pois não podia indicar claramente a casa se não estivesse próxima da terra.
Mas se esse astro não foi propriamente uma estrela do céu, o que era ela? Segundo o próprio São Tomás, ainda citando o Crisóstomo, poderia ser:
1º. O Espírito Santo, assim como ele apareceu em forma de pomba sobre Nosso Senhor em Seu batismo, também apareceu aos magos em forma de estrela.
2º. Um anjo, o mesmo que apareceu aos pastores, apareceu aos reis magos em forma de estrela.
3º. Uma espécie de estrela criada à parte das outras, não no céu mas na atmosfera próxima à terra, e que se movia segundo a vontade de Deus.
     Como solução ao mistério da Estrela de Belém, São Tomás acreditava ser mais provável e correta esta última alternativa. De qualquer forma, temos a certeza de que essa estrela continua a brilhar não só no alto das árvores de Natal, mas principalmente na alma de cada cristão ao comemorar a Luz nascida em Belém para iluminar os caminhos da humanidade. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2007, n. 72, p. 36-37)