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"Na fuga para o Egito era a Santa Igreja que, sozinha, peregrinava pelo deserto." Plinio Corrêa de Oliveira |
Particular dileção de Deus
pelo povo egípcio
Quando o Evangelista
descreve a fuga para o Egito, faz questão de apontar a realização de um oráculo
de Oseias: “Para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: ‘Eu
chamei do Egito meu Filho’ (Os 11, 1)” (Mt 2, 15).[1] A
inclusão dessa particularidade no texto da Escritura indica a existência de
profundos desígnios da Providência na eleição do antigo império dos faraós como
destino da Sagrada Família.[2] Para melhor
compreendê-los, serão de grande auxílio alguns comentários brilhantes de Dr.
Plinio acerca desse fascinante povo. Dotado de finíssimo discernimento dos
espíritos, especialmente penetrante em relação aos povos e à História,[3] suas análises deitam muita luz sobre o tema.[4]
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Cada povo da Antiguidade possuía uma vocação específica para reparar o plano rompido pelo pecado original Moisés no Monte Sinai |
Não é preciso ressaltar o
quanto as fantásticas realizações dos egípcios, até hoje enigmáticas para a
ciência em seus pormenores, ganham sentido com essas afirmações. Por sua vez, a
inegável atração exercida pelos mistérios do Egito provinha do encanto natural
desse povo, mais tarde, infelizmente, muitíssimo aproveitado pelo demônio para
conduzir certo filão de almas para o ocultismo.
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Coube aos egípcios receber a herança dos conhecimentos científicos do Paraíso, para formar uma sociedade temporal perfeita Israelitas se retiram do Egito |
[1] São João Crisóstomo crê que,
com sua ida para o Egito, “o Senhor anunciava a toda a terra uma espécie de
prelúdio de boas esperanças. Como na Babilônia e no Egito ardia o incêndio da
impiedade, mais que em outras partes, ao mostrar o Senhor, desde o princípio,
que os haverá de corrigir e melhorar, persuade a terra inteira a ter boa
esperança. Por isso manda os Magos para as terras da Babilônia e Ele mesmo, com
sua Mãe, vai para o Egito” (SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, op. cit., n.2, p.149).
[2] Neste sentido, Salmerón faz
interessantes comentários a respeito da fuga para o Egito: “Causam admiração
algumas considerações sobre essa fuga: Quem foge? O Verbo Eterno Encarnado, a
quem nada pode vencer; e, se parecer vencido, é para ressurgir maior e vencer
com mais glória. De quem foge? De homenzinhos comparáveis a vermes, mais débeis
que formigas. Para onde foge? Para o Egito, terra bárbara, pela qual os hebreus
alimentavam um ódio antigo, terra proibida aos hebreus, para que Herodes nem
sequer imaginasse que haviam fugido para lá. Para quê? Para mostrar-Se
verdadeiro Homem, que assumiu carne verdadeira, submetida ao temor e a outras
perturbações. Quis ser em tudo semelhante aos irmãos, indicando que vida o Pai
determinou para o seu Filho, cheia de perigos e preocupações. Para revelar,
desde o início, que seu Reino não era deste mundo. Para que, pelo furor causado
em Herodes, aumentasse sua divina glória, pois era desígnio divino exaltar seu
nome, vencendo deste modo. Para dizer, com essa fuga, que o Reino de Deus
passou dos judeus aos gentios” (SALMERÓN, (SALMERÓN, SJ, Alfonso. Commentarii
in Evangelicam Historiam et in Acta Apostolorum. Tractatus XXX. Coloniæ:
Antonium Hierat & Ioannem Gymnicum, 1602, t.III, p.406).
[3] Tendo convivido quarenta anos
com Dr. Plinio, o Autor dá testemunho de seu profundo discernimento dos
espíritos, não só das almas individualmente, como, sobretudo, dos povos e da
História (cf. CLÁ DIAS, EP, João Scognamiglio. O dom de sabedoria na mente,
vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Città del Vaticano-São Paulo: LEV;
Lumen Sapientiæ, 2016, v.III, p.437-510; v.V, p.127-204).
[4] Cf. MONS. JOÃO, Clá Dias. São
José; quem o conhece? Ipsis, São Paulo, 2017, p. 285-289.
[5] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio.
Palestra. São Paulo, 5 fev. 1981.
[6] Idem, ibidem.
[7] Idem, ibidem.
[8] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio.
Conversa. São Paulo, 25 out. 1981.
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